Sobre mim e outras coisas, irreais, ou nem por isso...

06
Jul 10

Daqui a 4 dias quero ir de férias, uma semana e meia, o que será um record dos últimos anos.

 

Não está nada combinado, mas queremos ir, para bem da nossa sanidade mental.

 

É claro, e como não podia deixar de ser, calha em fim de obra, até nem podia deixar de ser, nem ser de outra maneira, mas desta vez vou tentar ligar menos e o sr cliente, que me tem lixado sucessivamente, que se lixe ele.

 

Bem sei que nunca vou conseguir desligar-me, mas tenho de tentar. Como tenho tentado, sem sucesso, nas últimas vezes, é verdade.

 

Se não for tão mau como em 7 dias de férias em Junho passado ou tão péssimo como os 3 dias em Setembro, será, de facto, uma bela semana de férias, (se não chover...)

 

É que se repito a dose do ano passado, acho que não vou conseguir enfrentar o R e as miudas, e a empresa estará em risco, pois não sei se aguento outra semana como aquelas. ACho mesmo que iria abaixo em 3 tempos e seria complicado recuperar.

 

Tenho medo de toda a frustração se tornar numa bela m**** de "baixa pressão".

 

 

 

 

publicado por na primeira pessoa do singular às 10:55

02
Jul 10

Nem sempre é suficiente para ser o primeiro a chegar à cache...

 

Ainda por cima subir um monte áquelas horas da manhã, chegar lá com os bofes à boca e ser segundo...Tá mal!

publicado por na primeira pessoa do singular às 10:15

01
Jul 10

É coisa que raramente vejo..Mas ontem fui almoçar tarde, e com a televisão ligada vi uma senhora de idade a falar de coisas da infância.

 

Estava com pressa, não estava com muita atenção, mas parece que a senhora estava a falar de outro mundo!

 

Pois bem, há 30 anos atrás, e eu tenho apenas 35, muitas daquelas coisas eram válidas, e há 15 também, na minha aldeia, e hoje também, em muitas outras aldeias.

 

Este era o raio de acção...a aldeia, o quintal, a ribeira, o pinhal...

 

Também assisti a matanças e também lavei tripas, de pés de molho no ribeiro...( coisa muito feia, hoje em dia, é verdade).

Os dias da matança eram sempre de festa, e o bando de primos ficava fora do páteo enquanto se dava o assassinato, propriamente dito. Depois, abria-se o portão e viamos e ajudávamos a chamuscar e raspar o pêlo queimado. Assistiamos à desmancha, tratavamos das tripas, faziamos morcelas e chouriças. Comiamos nesse dia o fígado, e havia sempre jardineira com a forsura e outras miudezas. Salgava-se parte do porco. Faziam-se torresmos. Dias de festa, mesmo.

 

No campo, pude crescer no meio da agricultura. AJudávamos a semear/plantar, e depois a colher, batatas, milho, tomate, pepino, feijão.

As descamisadas, ou desfolhadas, eram outro dia de festa, onde o milho colhido era desfolhado, com uns pregos grandes que rasgavam as caimisas. Camisas que a vaca iria comer durante uns meses. Faziam-se ainda bigodes com as barbas, ou lindas cabeleiras, para as bonecas com as folhas ou os carolos.

 

 

 

O malhar do feijão também era bom de ver, não de fazer, porque o malho era grande e a habilidade era pouca. Mas depois peneirávamos, ou joeirávamos, como dizia o meu avô, a favor do vento e era ver a s folhas secas a voar...

 

Nas vindimas, os netos sabiam as carreiras das uvas mais saborosas, e essas era apanhadas primeiro, para comer. Durante toda a manhã, era subir e descer com baldes e cestos carregados, a despejar no lagar, e , à tarde, saltavamos todos lá para dentro e era ver as pernas a ficarem vermelhas, e os pés doridos de pisar o engaço. Depois o sumo começava a sair para um cântaro de folha de chapa, o meu avô fazia umas afinações com uns pozinhos estranhos e media o grau com um termómetro que boiava.Os engaços eram postos numa prensa com emormes peças de madeira, e apertados com uma alavanca , a um ritmo certinho, tac, tac, tac tac.

Tudo isto durava uns dias. Depois tudo era mudado para pipos e tonéis, que tinham sido lavados dias antes, e onde o meu avô punha ( ou tirava?) uma papa branca malcheirosa e uma coisa amarela.

 

Na adega ficavam também uvas a secar, e maçãs e pêras, deixando essa cave com um cheiro mágico e divinal. É o cheiro que hoje identifico com maçã, e não gosto de comer outras que não tenham esse cheiro. É cheiro do perfume Magnetic da Gabriela Sabatini, que me deram há 18 anos, que usei quando comecei a namorar, que usei no dia do casamento, e do qual resta uma parte infima, bem guardado no meu quarto.

 

Ao pinhal, ia-se à lenha, à caruma e à pinhocas, tojos para currais,  e ainda à carqueija, ao rosmaninho, ao tomilho,( cheiros que eu adoro e uso para cozinhar quase diariamente) para as fogueiras dos santos populares. No Verão, junto à praia, camarinhas. No Inverno, musgo para o presépio.

 

As azeitonas, das quais não sou apreciadora, EXCEPTO as do restaurante Pontuel, eram sacudidas à vara e caíam para grandes panos estendidos em baixo. Umas iam para o lagar, e enchiam-se talhas de azeite para todo o ano, outras eram retalhadas e postas a curar, com água, sal, laranja e as ervas do pintal.

 

A rega era feita por grandes mangueiras , que traziam a água do poço para carreiros na terra, que encaminhavam a água, e que eram abertos e fechados, com a enchada, regado apenas e quanto necessário. Coisa que ainda hoje se faz, no quintal inclinado, onde cresce feijão, couve, corgete, abóbora, alface, tomate, pepini, beterraba.

 

Se a isso somarmos a vaca, o burro, os porcos, galinhas, patos peús e coelhos, ovelha e cabras, então isto foi o sítio onde cresci, e de que as minhas filhas hoje usufruem, se bem que com menos animais, já sem vaca e sem burro, cabras e ovelhas e porcos só de vez em quando.

 

 

 

Sei que fui privilegiada, e quero que elas tenham esta oportunidade. Por isso brincam na terra, por isso mexem em bichos,por isso foram iniciadas à caça do grilo, (com palhinha na toca, ou esguicho de água em último recurso), dos pirilampos, escaravelhos, e em breve saberão como se desmancha um buraco de toupeira,  por isso vão à feira da Agricultura, por isso passeiam no campo e no pinhal. Têm muito tempo para serem cosmopolitas mais tarde...

 

Por isso comprámos 5000m2 de terreno para um dia, quem sabe, lhe podermos dar nós estas condições...

 

 

 

 

publicado por na primeira pessoa do singular às 11:11

11
Jun 10

O dia até começou bem...

Lá fora, a chuva dava direito a alteração de planos.

No fim do dia, e a contragosto lá acedeu a irmos dar a volta pretendida. Muito contrariado. Mal humorado.

 

E no regresso, era quase meia noite, e estava a mudar um pneu furado nas curvas, no meio de um pinhal no fim do mundo, à luz da lanterna de uma esferográfica

.eu.

ele.

Uma

Outra

publicado por na primeira pessoa do singular às 10:24

01
Jun 10

Quero mudar tudo, na minha vida profissional, para voltar anos e anos atrás e ter vida pessoal!

 

Quero ser dona de casa, mãe de filhas, quero não saber mais de outras coisas, não ter de pensar, não ter de mandar  mais longe que o meu quintal.

Não quero ter de fazer mais compras que as de casa, do supermercado, a roupa e o calçado, um presente para alguém, livros.

Não quero mandar em mais ninguém que no marido e filhas.

 

Quero chegar a casa de dia, e ter tempo de fazer o jantar, e jantar antes das 9 da noite, já com banhinhos feitos, roupinhas lavadas, e mimos nas filhas, para se deitarem antes das 10.

 

Quero ver a telenovela sentada no meu sofá.

Quero deitar-me numa cama feita todos os dias

Quero ter a roupa arrumada, as meias e as cuecas dobradas, tudo certinho em cada armário ou gaveta.

 

Quero etr mais tempo para cuidar de mim. Sim, Cuidar de mim! Antes era bonita, o cabelo estava sempre arranjado, a depilação impecável, as unhas 5 estrelas, a pele hidratada... e seclhar todos estes cuidados ajudavam a ser magra.

 

Estou furiosa, com todo o Mundo ( todo o mundo das obras), e acima de tudo comigo.

 

 

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAh!

publicado por na primeira pessoa do singular às 19:35

28
Mai 10

Vou chorar baba e ranho a ver as minhas meninas a patinarem no Sarau... mesmo que já tenha visto o treino, tantas vezes...

publicado por na primeira pessoa do singular às 17:20

26
Mai 10

Se hoje chegar cedo a casa, vou retirar quase tudo dos armários e dar todas as roupas que não me servem, as camisolas que sobem para cima do pneu, separar roupas das miúdas, que já não servem a uma e já não servem a outra, e que ainda estão grandes para a minúscula, mas pequenas para a maiuscula, para ficarem para as sobrinah, para tudo, mas em especial dar um rumo áquela casa!

Já não sei onde arrumar, e dou comigo com gavetas cheias de coisas que não uso, e o pouco que uso sempre desarrumado.

 

De há uns dias para cá já nem me consigo ver ao espelho. Está tudo mal, tudo mal. Então a cara , parece ainda mais inchada que a barriga! Além de toda rebentada!

Hoje comprei um spray para por na boca, que diz que tira a fome. Não me parece, do que já experimentei. Mal empregado o dinheiro.

 

Se conseguir fazer o que me proponho, sobra outro problema: o que é que eu vou vestir amanhã? E a seguir?

 

publicado por na primeira pessoa do singular às 18:02

19
Mai 10

A titi manda beijinhos à bebé tonta que faz um aninho

publicado por na primeira pessoa do singular às 10:29

18
Mai 10

Foi assim , no domingo.

 

Depois do pequeno almoço, comecei a preparar o belo almocinho. Adoro cozinhar, e tenho tipo tão poucas oportunidades!

 

Uma sopa de feijão, um franguinho assado no forno, com batatinhas, temperado com salsa, tomilho, alecrim, menta, cebolinho, muitas destas provenientes da minha varanda.Espinafres para acompanhar. Ficou delicioso!

 

Enquanto o forno se aplicava, arranjei vasos, apanhei ervas e urtigas. Adubei, transplantei, semeei, reguei, tentando dar um pouco de vida ao jardinzinho mal estimado.

 

Depois, depilação  e um belo banho. Ouro sobre azzul!

 

à tarde, tesouros e feira com as miudas e os vizinhos. Pelo meio, aventuras no mato, uma casa na árvore...

 

Cool ( estava hot, na verdade!)

 

Senti-me feliz, mesmo muito.

 

 

 

É claro que pago bem caros estes momentos... e assim foi, a começar às 4:30 de segunda-feira .

 

Será que por cada hora boa, tenha de pagar com 6 vezes mais de dias horribilis , horrendus?

 

publicado por na primeira pessoa do singular às 15:50

16
Mai 10

É domingo, e ele aproveita para dormir mais um pouco.

 

Eu gosto de me levantar cedo, ouvir as notícias e andar por aí a cirandar, quando ainda não há barulhos e gritos e guinchos e nem "Mãaaiiiiiii"

 

Os passarinhos já andam por aí a voar e a esta hora já se enfiram na cama ao lado dele a ver desenhos animados.

 

É domingo, é dia de panquecas ao pequeno almoço, que hei-de ir fazer com muito amor,e hei-de barrá-las com chocolate, e ver os olhos delas a brilhar de felicidade e gula.

 

Vou acordá-lo com beijos, e ele vai resmungar, mas depois levantar-se-á, e religiosamente e sem falhar irá calçar de imediato os chinelos.Depois  virá ajudar-me no pequeno almoço.

 

 

E depois de almoço, se tudo correr bem e o sol se aguentar, vamos fazer geocaching para Leiria. E se elas se portarem bem, terminaremos o dia na feira de Maio, a dar umas voltas de carrossel e a comer farturas Penin ou algodão doce ou mesmo um pão quente com chouriço.

Na retaguardo destes bons pensamentos, está um trabalho para entregar,  e falta-me a palavra que queria dizer. Não é protelar, não é adiar, é uma palavra que exprime o como eu sou expert em deixar situações de trabalho que não me aptece fazer atá à última da hora. Agora vou ficar todo o dia a pensar nisto!

 

Procrastinar ( fui ao google). O mesmo que postergar ( desconhecia), ou, em Inglês, postdate ou postpone.

publicado por na primeira pessoa do singular às 09:57

fomos levá-las à patinagem. Andam a ensaiar para o Sarau da Cercilei.

 

Fico toda emocionada a vê-las fazer aquelas coreografias , porque bem ou mal, são as melhores e maiores do meu coração. E desconfio que vou voltar a chorar quando as vir entrar no dia do espectáculo, e ainda que caiam, tropecem ou se enganem, nada disso verei, apenas as minhas bébés a deslizarem gracosamente sobre patins.

 

para além disso, e falando já noutro tom, acho importante que elas treinem , este ou outro desporto, para assimilarem regras, esforçarem.se tentarem superar-se, e , para se habituarem a ver o seu esforço ou prestação medido e avaliado. Sem stress, sem pres´sões, não é nossa intenção ter filhotas campeãs, a treinar para além dos limites, se  essa vontade não vier de dentro delas.

 

 

publicado por na primeira pessoa do singular às 09:45
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levámos as miúdas a uma barraca de cachorros e bifanas. ( a verdade é que há anos que não comia um cachorro bem aviado, e estava a apetecer-me)

Já estavam em pijama, e nem sequer tinham estranhado estar sem jantar.

Eu e R. preparavamos umas caças a tesouros para a tarde de hoje, e já passava das 10 da noite quando arrancámos rumo a uma roulotte aqui pertinho de casa.

 

Adoraram.

 

Se  calhar é uma coisa normal e banal, para tantas crianças. Para elas foi uma experiência.`As vezes dúvidamos se os nossos métodos para as educar são eficazes, devido ao mau comportamento delas.

Por outro lado, revejo-me em muitas das suas atitudes, boas ou más.

Ainda assim, achamos que proporcionar-lhes exeperiências e vivências, é uma boa maneira de as ensinar e de as fazer felizes.

 

E aproveitamos o pouco tempo livre que temos a adorá-las, e amá-las e a ser felizes com elas ( pronto, o que sobra de tempo livre a seguir às birras...)

 

Hoje será, espero eu, mais um dia de aventuras.

publicado por na primeira pessoa do singular às 09:36
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14
Mai 10

A aventura está a ser excelente para a nossa vida em família. Acho mesmo que foi uma das ideias mais felizes e produtivas dos últimos tempos.

Elas adoram, nós adoramos, e admitimos que se está a tornar um desafio cativante, um pouco viciante, até.

Somos um bocadito maçaricos, mas safamo-nos bem.

Pensavamos que o nosso trabalho em equipa só funcionava bem em termos de "concepção" de filhas lindas, mas afinal, veja-se lá, conseguimos trabalhar juntos e com bons resultados nas caças aos tesouros!

 

Temos passeado por aí, conhecemos muitas coisas que estava mesmo ali ao lado e nuca tinhamos reparado, andamos a pé, fazemos exercício, respiramos ar puro, tomamos mais atenção aos pormenores.

 

Acessoriamente:

 

As miúdas:

 aprendem

 praticam exercício

 disfrutam da natureza

Chegam a casa estouradas e vão dormir mais depressa

 

Os pais:

  divertem-se

   Aproveitam os minutos todos em família ( pouco tempo mas muito Quality Time!)

   Aproveitam o facto de as miúdas irem mais depressa para a cama, para terminarem o dia em beleza...

 

publicado por na primeira pessoa do singular às 11:46

Tempos houve em que a emoção numa oração era real. Passou-me.

 

Hoje, tento viver, suavemente e sem extremos, os princípios da religião em que fui educada, e transmitir os mesmos compromissos às minhas filhas.

 

Não admito que me digam que não cumpro todos os preceitos, todas as regras, todas as missas.

Não! Vou pela minha cabeça e estabeleço o que posso ou quero. Contrario o padre que reclama quando ouve dizer, eu tenho a Minha fé, ou a minha devoção Pois se é a minha, porque é que tem de ser igual à dos outros?

Vivo à minha maneira, ainda que o olhar dos meus pais por vezes me esteja a queimar a nuca..

Acredito no que me apetece, e acima disso no que me convém.

 

Não me sinto melhor ou pior pelo Papa cá ter vindo, nem mais nem menos afectada pelos escândalos recentes, uma vez que são transversais à sociedade, e para isso tinha de afligir com o mesmo que vem de fora do seio da religião, e não tenho tempo.

Condeno, mas fico-me por aí.

 

Pareceu-me mal a opulência e custos associados.

 

As tolerâncias de ponto e folgas, e bichas, e multidões, pois... não havia nexexidade... Deu-me jeito porque nas câmaras meteram  folga...

 

 

Trabalhei parte do dia, e a meio da tarde saí à aventura com marido e filhas. Soube mesmo muito bem. Afinal, aqui para estes lados até era feriado do Dia da Espiga.

 

 

publicado por na primeira pessoa do singular às 11:35

18
Abr 10

O vulcão é responsável pelo atraso dos aviões que vêm da China, logo, durante mais uns dias, vamos estar por nossa conta, sem Papi.

O vulcão pode ser um abre-olhos, porque nem só de avião se anda neste mundo.

O vulcão estragou os meus planos de estrear uma lingerie nova.

 

O vulcão é longe, mas faz estragos na minha vida.Tenho saudades.

 

 

publicado por na primeira pessoa do singular às 21:13

29
Mar 10

Estava no sábado a pensar nisso, e eis que abro um livro cujo primeiro capítulo era mais ou menos sobre este assunto.

 

Sábado à noite, fomos jantar fora, fomos ao Mac Donald's fazer a vontade às filhas. Muitas famílias como a nossa, mães e pais e filhos pequenos agarrados a happy meals.

(Susbtituí as minhas batatas por uma salada.)

 

Noutras mesas, rapariguinhas preparadas para a night, rapazinhos preparados para a night, cotas preparadas para a night ( naquelas figuras?), e as tais famílias , todas iguais, as mães de fato prático, calçado cómodo,sem grandes pinturas ou produções, e pais a condizer.

 

Observei os homens, e concluí que, como o meu, parecem bons homens. Tirando o meu, que para mim, é lindo ( e para a mãe dele, e para a minha...) os outros não eram vistosos. Como o meu, possuiam uma barriga sobre o cinto das calças de ganga, camisa aos quadrados sob polo de malha de algodão e um blusão azul escuro. Sapatos ou sapatilhas simples, sem mariquices. Sem brincos, pulseiras ou colares.

 

Só homens com ar pacato, mais ou menos carecas, e com ar de PAI.

 

Muito melhores de qualquer "gajo bom". E que conseguem o que esses tais Gajos bons não conseguem, ou parecem não estar interessados em obter.

 

Não precisam de gajas boas, só mulheres normais, e são felizes.Acho eu...

 

 

 

 

 

 

publicado por na primeira pessoa do singular às 11:29
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24
Mar 10

 

 

Lera assim na Wikipédia:

 

O '''Sonho Americano''' foi inventado pelo histórico James Tuslow Adams em 1931. Apesar de o significado da frase ter evoluído ao longo da história, para algumas pessoas, o sonho americano é a oportunidade de alcançar uma maior prosperidade material que não foi possível, no antigo país, ou no país de origem; para outros, é a oportunidade para os seus filhos se desenvolverem a receberem uma educação e oportunidades de emprego; para outros, é a oportunidade de fazer as escolhas individuais, sem os constrangimentos da classe, de geração, religião,raça, orientação sexual, ou grupo étnico.”

 

Concluiu que era de uns e de outros, neste mapa rectangular, mas que tinha de ser mais que isso. Tinha de ser outro o conceito...

Não almejava a maior das prosperidades, apenas um pouco mais que o suficientes, nunca tivera problemas de emprego, não se arrumava em classes, não era nem rica nem pobre, a raça, religião, escolha sexual, tudo do mais típico e insuspeito.

De facto, e pensando melhor, não sofria de “sonho americano”.

Era mais uma vontade de “back in time”, (mas com internet e todos os modernos apetrechos de cozinha).

Voltar a quando as senhoras eram donas de casa ( mas agora por opção, e sem marido a mandar e desmandar), e morar no campo ( rodeada de acessos à cidade).

Fazia a lida da casa, levava os meninos à escola, às actividades no fim do dia, cozinhava e às seis da tarde a família reunia-se à mesa a jantar. Fazia ginástica.

Trabalhava em part-time, na sua empresa bem sucedida, ( de pequena dimensão, amiga do ambiente e modelo de responsabilidade social) e o ordenado nem era o mais importante, porque o quintal era frutuoso e o marido garantia o resto que faltava. Ainda dava tempo para benfeitorias...

Seria a chefe exemplar, e os funcionários da lucrativa e bem gerida empresa seriam mais um elemento da família, já de si numerosa, trabalhando com afinco, em horário flexível, altamente motivados para o sucesso de um projecto comum.

Os dias eram formatados e sem grandes sobressaltos, e passavam assim...

A criancinhas, em escadinha,não faziam birras, arrumavam os quartos e estudavam um bocadinho ao fim do dia. Brincavam na rua com os vizinhos, subiam às árvores e andavam de balouço, num jardim meticulosamente aparado, por um jardineiro reformado, que apanhava as frutas, apanhava os ovos, matava as galinhas e os coelhos.

Tomavam banho e jantavam de tudo, de todos os vegetais do quintal, tudo comidinha caseira ( apesar de os peixes e algumas carnes puderem ser de “aviário”).

As visitas dos amigos eram constantes.

Ao pôr do sol, as criancinhas iam para a cama e dava tempo para ficar a ler na varanda ( sem mosquitos, sem frio), ou a ver televisão – sem adormecer .

Se fosse Verão, quem sabe um banho nocturno na piscina morna, um marido meigo por companhia!

Todos as noites, os lençóis seriam de linho, lisos e perfumados, e o sono seria profundo e relaxante,

 

Os Domingos seriam de roupa nova e toalha branca na mesa, e um belo assado no forno, sobremesa especial.

Quando se saísse da missa, enquanto os miúdos brincavam e corriam, os vizinhos poriam a conversa em dia.

Os sábados de brincadeira, limpezas e jardinagens.

Os outros dias, bom, seria dias sempre bons...

 

Oh, man!, já passou o corte, vou ter de ir à outra portagem e voltar para trás! Mais quarenta e sete cêntimos e mais dezoito minutos que não tenho!.

É sempre a mesma treta. Isto de vir em piloto automático...

Chega prá lá, pá, eu já ia nesta faixa!

publicado por na primeira pessoa do singular às 12:48

 

 

O homem é gordicho, e de uma cor castanha reluzente. Careca, de cara redonda, bigodinho e com óculos redondo,os dentes amarelos num sorriso de boca carnuda.

Veste um improvável casaco de fazenda grossa, com xadrez verde, castanho e amarelo, camisa esverdeada, calça castanha, e usa bengala. Anda como o Charlot.

Tem um ar satisfeito, de quem tem as pazes feitas com a vida.

Não vai sozinho!

De braço dado, uma senhora, negra, também, mas cujas feições não consigo recordar, se era baixa ou alta, gorda ou magra, de comum que era, junto de figura tão espampanante.

Ainda mais dois miúdos com cara de netos, de bicicleta com rodinhas,

Os quatro ocupam a estrada, que não tem passeio, e seguem tranquilos, sem pressa , e tenho de me chegar para o lado quando passo por eles.

 

 

publicado por na primeira pessoa do singular às 12:46
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10
Mar 10

Este mês estou sem Dona São. Não é que uma manhã por semana seja muito, mas é sempre melhor que nada.

O cotão acumula-se nos cantos, porque está quase a fazer uma semana que não aspiro a casa. E ontem e hoje o sol entrou pelas janelas, e via-se o pó a pairar e tufos de cotão em cantos estratégicos....

Ora esta noite, já tenho que fazer: mudar roupas das camas, aspirar e limpar o pó dos quartos. dar uma lavadela rápida à casa de banho e depois aspirar de corrida o corredor sala e cozinha, que o esposo mantém impecável.

A roupa irá a sucessivamente para a máquina, esta noite, amanhã de manhã, ao ritmo que couber no estendal, e os lençois e as toalhas terão direito a máquina de secar.

Entretanto, no porta bagagens, um cesto de roupa para passar aguarda por mim, porque me esqueci de a ir levar à Alzira, que em 3 ou 4 horas a passa mais ou menos, o suficiente, melhor do que ter de ser eu a fazê-lo. A urgência é maior, porque estou sem caças para levar amanhã para as obras....

No quarto das miudas a operação terá de ser mais delicada, pois não sei quantas horas me vai levar a pôr aquilo em ordem. O caos está instalado desde 5ª feira passada.

Dava-me jeito um dia inteiro. Terei, quem sabe, 2 horas ..

 

publicado por na primeira pessoa do singular às 16:18

12
Fev 10

Tomamos o pequeno almoço juntos, quase todos os dias.

Começou assim, quando casámos, independentemente do horário de cada um, até quando um tem de sair de madrugada, o outro se levanta, para estarmos juntos aquele bocadinho, saboroso...

Chegou a ser a única refeição em conjunto, dadas as "desoras" de chegar a casa.

Ao fim de semana, temos a companhia das duas papoilas, que desaparecem em menos de um nada, para irem brincar.

 

Normalmente, inclui pãozinho feito em casa, um sumo de laranja natural, acabadinho de espremer ( doce se as laranjas forem do Pingo Doce, mais ou menos se forem de outro supermecado, amargo se forem do quintal do sogro, ou dulcíssimo, se levar tangerinas do referido quintal), e leite. Chocolate para mim, café para ele.

Manteiga enão margarina, com sal, queijo fresco, queijo e fiambre, às vezes uma compota, são o acompanhamento.

 

Houve tempos em que o pão era comprado fora, e todos os dias havia omololete de queijo e fiambre, bem enroladinha, conforme o Dr. da dieta dizia. Não vi grandes efeitos, mas sabia muito bem

 

Isto nunca é menos de um quarto de hora.

Em urgências: Nestum Mel ou Fitness para mim, Cerelac com leite ou Chocapic para ele.

Em dias de preguiça, panquecas:

 

 

500ml leite

250grs farinha

2 ovos

2 colheres de sopa de açucar

essência de baunilha

1 colher de sopa de óleo

 

Varinha mágica ou liquificadora. Dá para pelo menos 10 crepes com cerca de 18 cm de diâmetro.Frigideira anti aderente alguns segundos e já está, em menos de 10 minutos, crepes para toda a gente.

Com leite de soja ficam mais clarinhos,não sei porquê.

 

Em dias gulosos : ovo estrelado. Barra-se o pão com queijo fresco e, em cima compotas.

Pêssego, tomate, laranja, marmelada...umas vezes minhas, outras vezes da vizinha, da mãe ou da sogra, outras do supermercado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por na primeira pessoa do singular às 14:55

07
Fev 10

Dizem as estatísticas que sou jovem empresária. Maldita a hora...

 

Farta de aturar patrões e chefes, decidi-me a criar o meu emprego, e demais quem fosse necessário.

 

Pensava eu:

Tenho um curso superior e até sou boa no que faço.

Não tenho medo de trabalhar,

Não vou gastar milhares de euros em mercedes nem casa da praia, nem viagem suspeitas a paraísos

Não sou de pagar jantaradas e whisky, não frequento casas de senhoras de profissão alternativa, ou alternada ou equivalente..

Não há muitas empresas neste ramo

A lei diz que os meus serviços estão previstos e são necessários,

Sou uma mulher desenrascada

 

e aqui vai disto!

 

Lancei-me às feras há pouco mais de 2 anos, em plena crise, num sector afundado, e sobrevivendo, não posso dizer que está a ser fácil.

 

As perspectivas eram boas, na práctica tudo é diferente.

 

A começar por ser mulher num trabalho de homens

 

Subsídios? Nicles

QREN? Não é para mim

Incentivos? Não sou elegível.

Cunhas, não tenho.

IEFP? Esqueçam, se ainda estivesse à espera...

 

"Triste herança te deixamos, filha", diziam ontem os meus pais, que há 30 anos que andam para o mesmo...e que constituem grande parte do apoio e suporte que permite que esta luta se mantenha acesa.

 

 

Para trás ficam sonhos de família adiados, horas de sono perdidas, comprimidos anti ansiedade,  quilómetros percorridos, publicidade que parece invisível.

 

Raio de vida a minha!

publicado por na primeira pessoa do singular às 15:15

25
Jan 10

Estava a pensar, e até acabei por perguntar ao marido e irmãs:

 

Quantas pessoas conhecemos, nascidas nos anos 70 ou 80, que têm mais de 2 filhos? Pessoas da família, amigos,do trabalho, de outras actividades...

 

Ainda que já tenhamos ouvido falar de outros casais, e se leiam os casos de grandes famílias de riquinhos e dondocas nas revistas cor de rosa, conhecer, conhecer, só conheço 2 casos, 1 de 3 e outro de 4 filhos. E se fomos ver os coleguinhas da escola das miúdas, quase todos são filhos únicos.

 

Há 30 anos atrás era quase o contrário, pelo menos lá na escola, a mesma em que eu andei, e que elas agora frequentam...

publicado por na primeira pessoa do singular às 10:53
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12
Jan 10

Papi é o nome carinhoso que as três lhe damos.

Vai pedir ao papi..Papi, estamos prontas!...Anda, vamos acordar o papi com uma "moche" de beijos...

 

É o meu complemento. O meu amigo. O meu amor.

 

Eu acho que ele é lindo. Morria de ciúmes das amigas da irmã dele, 15 anos mais velhas, porque me parecia que andavam sempre a namoriscá-lo.

 

Conhecemos-nos há quase 20 anos, mas, no fundo, no fundo, já o tinha topado talvez 2 anos antes, só não sabia que era ele.

Numa festa de Carnaval, teria talvez 13 anos, e numa saída única e imprevista, vi passar um Ghostbuster, que me fez virar a cabeça. Anos mais tarde, perguntei-lhe: Ouve lá, alguma vez  foste a tal parte, assim assim, e a resposta, foi sim...

 

Namoramos há mais de 18 anos, casamos há pouco mais de nove e temos duas filhotas lindas. Nunca tive outro namorado. Nunca deixei de adorar o seu cheiro a Avon Musk. Guardo o cartão de visita que me ofereceu dias antes de começarmos a namorar.

Não esqueço os primeiros beijos, os primeiros toque, as primeiras desilusões ou extases, nem os primeiros sustos.

Não esqueço as primeiras palavras depois do primeiro beijo. A primeira de muitas noites.

Acho que sinto a textura das roupas, o cheiro dos locais, as músicas, e é tudo muito bom!

 

 

Se esquecermos as diferenças profundas do modo de ser, de estar, de como certas coisas me irritam solenemente ( é reciproco, o sentimento, apenas mudam os objectos dessa irritação), então só posso dizer que o Amo, Tanto, mais que Muito.

 

E como é habilidoso... o ideal para levar para uma ilha deserta, e começar a repovoar o mundo! Por todos os motivos, em todas as Artes. Como a do Amor!

 

 

 

 

publicado por na primeira pessoa do singular às 18:11

09
Jan 10

Ainda que não seja a mais bonita,é, contudo, a melhor. É mãe e dona de casa, e cuida como ninguém das quatro netas, três filhas, um filho, três genros , um marido e um pai e todos os outros que entrem naquela casa, e ainda do trabalho do escritório e da costura.

Por isso anda sempre cansada.

Costurar, cozinhar, arrumar, cuidar , tudo muito bem, dá-lhe, no entanto, um feitiozinho lixado, com o qual temos de viver.

A ele,que  trabalha até a exaustão, e depois tenta dormir, nunca o vi bêbado ou a dizer um palavrão.Gosta da terra , da tecnologia e da espiritualidade. Chato, quando quer...

A ela, fui buscar o formato, a maternidade e o cuidar, a doçura ( bem escondida, não podem saber que eu sou assim), a ele o carácter e a convicção.

Como gato e rato, vão discutindo todos os dias, mas não poderão viver um sem o outro.

 

Juntos deram-me forma, como a madeira dá ao betão, e a resistência, que o aço acrescenta à peça estrutural.

 

Assim sou eu.

publicado por na primeira pessoa do singular às 10:41
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