Sobre mim e outras coisas, irreais, ou nem por isso...

23
Nov 11

 

Hoje acordei inspirada, e isso não costuma da bons resultados.

 

 E as questões são:

 

1-Imaginem que dentro de 15 minutos o tempo para em todo o mundo, e todos ficam à mesma hora ( imaginem que serão 10AM em todo o mundo ao mesmo tempo).

E que ao mesmo tempo todo o dinheiro que temos no banco, em casa, no colchão, no mealheiro, é colocado num monte: o nosso, o das empresas, de todas as instituições e todos os bancos.

Que todas as casas e carros e tudo o que é material, incluindo o mealheiro e o colchão, que têm um valor estipulado se materializam em notas e moedas e vão para o monte ( de facto já algum dia foram trocados por dinheiro, pelo que este deve existir).

E tudo o que está em produção e crescimento também.

O mesmo para todas as reservas e stocks de materiais e matérias primas . O mesmo para todas as acções, seguros, fundos e outras aplicações financeiras.

 

Ora bem, esse dinheiro existe no mundo, fisicamente, na totalidade?

 

2- Vamos supor que eu tenho uma macieira biológica no meu quintal, que dá milhares de maças lindas e saborosas.

Durante o ano  tive que a podar, regar, tratar, e por fim apanhar os frutos.

Como já fiz doce, já fiz conserva, já guardei, e já comi, e continuo a ter maça, decido vender as restantes à comunidade.

Ponho num cestinho de verga e monto uma bancada no quintal à beira da estrada.

Vendo a maçã a 0,65€/kg e fico muito satisfeita.

Todos adoram as maças, compram-nas e levam para casa no saquinho que trouxeram.
A meio da manhã, vem o sr das finanças, e em vez de comprar a maça, aplica-me umas taxas e uma coima. 

 Vem o Sr da ASAE e diz que a bancada não tem condições, e lá tenho de fazer outra.

Vem o senhor da segurança social, e aplica mais uma taxa.

Vem a senhora da segurança e a da higiene alimentar e mandam-me por luvas, capacete, colete reflector, deitar a maça numa tela fofinha, colocar rótulo, analisar as características.

E o sr das estradas de portugal ainda me aplicou uma taxa por ter um letreiro na bancada a publicitar as maças.

Neste vai e não vai, tive de ir pagar as taxas e coimas, comprar o material em falta, por tudo como deve de ser.

Como também aproveitei para vender compota e conservas, imaginem toda a burocracia, com testes, papeis, certificações, teores de açucar e o diabo a quatro ( mal eles sabem que fiz licor, senão....)

No entretanto, a fruta começa a apodrecer, de tanto esperar, tenho de comprar uma arca gigante onde a guardo, com consumos enormes de energia, e quando, finalmente tenho tudo legalizado para vender ( também tive de licenciar o espaço na câmara!), faço as contas e afinal tenho de vender a maçã, igual à do primeiro dia, a saber ao mesmo, com todas as vitaminas, e proteinas de lagarta que no primeiro dia por 2,00€/kg.


Passam os clientes e não param. E os poucos que compram não voltam, pois a esse preço, a maçã não sabe tão bem quanto isso.


Baixo o preço, mas depois não posso continuar a pagar tudo o que me impuseram, e um dia concluo que é melhor abater a macieira, que só me trás prejuízo, e no fim ainda tenho de entregar o quintal ao banco.

 

A maçã ficou melhor, mais bonita, mais saudável e mais saborosa no fim de tanta reviravolta? É mais maçã do que no primeiro dia?

 

a maçã que não vendi e apodreceu, tive de pagar aos senhores dos resíduos para a deitar fora.

publicado por na primeira pessoa do singular às 10:02

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