Sobre mim e outras coisas, irreais, ou nem por isso...

29
Ago 11

Quando eua andava no infantário, era igual às outras e outros que lá andavam, mas achava-me mesmo mais espertinha e desenrascada ( ou fazia por isso). E foi aí que se moldou a minha competitividade e concorrência por uns minutos de atenção e brilho.

 

Quando fui para a primária, continuava tão igual aos outros. No entanto, tinha vantagens de ter quem me soubesse ajudar nos TPCs, roupa melhorada, sapatos sem buracos, e uma senhora que ajudava lá em casa e em casa da tia, e quem me mostrasse ao vivo e a cores o Rio Tejo, a serra do Gerês, a linha do Oeste, o Castelo de Leiria ou o Planetário.

 

Quando fui para o colégio, era um bichinho do campo, menos chique, menos na moda, mas com mais facilidades em português, matemática, ciências e tantas outras disciplinas novas. Tinha um bom comportamento entranhado, que nunca me deixou pisar o risco, sair da linha, experimentar. Quando fui para o colégio, descobri a história, os gregos, e o amor platónico. E o significado da fidelidade a um só amor. Mas nunca perdi o sentido de mim.

 

Quando fui para a escola secundária, era tudo menos igual às outras. Intocável, inacessível, logo, bicho raro: ainda que tentadora, era para olhar à distância, e admirar as qualidades de atleta e de estudante, mas sem tocar. A mesma que não pisava o risco, nem saía da linha ( excepto na privacidade de um novo amor, bem real, que comemora por estes dias os 20 anos). O ar de quem não parte um prato. A opinião de que homens e mulheres têm um papel definido e imiscível. Mas sabendo que só os burros mantém a opinião perante evidências do contrário...

 

Quando fui para a universidade, era a menina da aldeia na grande cidade, que não me deslumbrou. A mesma nos princípios, na fidelidade e no amor. Esforçada, sonhadora. Intocável.

 

Quando comecei a trabalhar, apercebi da vantagem de ser diferente, para melhor. usei e abusei do pedestal de "Prima Donna" em que fui colocada, talvez não tanto por mérito meu, mas demérito dos outros.

 

Hoje, não sei bem quem sou, onde me situo. Desconheço as minhas vantagens e desvantagens.

 

Genericamente, sou feliz. Há 5 anos era mais materialmente feliz, Há 10 anos, mais ainda.

Ganhei, acumulei guardei horas de cansaço e esforços, muitos dos quais inúteis.

 

Dentro de 3,5 anos terei 40. Duas filhas, quem sabe seo o terceiro virá, ou não. O mesmo marido, espero eu.

 

de mim, pouco mais sei, por estes dias

publicado por na primeira pessoa do singular às 10:16

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