Sobre mim e outras coisas, irreais, ou nem por isso...

06
Mar 12

o meu avô morreu, há poucas horas.

 

Quando a minha mãe telefonou a dar a notícia, não chorei, e desconfio que nem o coração bateu mais forte.

 

Já o esperava, desejava até, porque o sofrimento não pode ser ilimitado. Não o meu, mas o dele, e o das filhas.

 

Quando o meu avô Quim morreu, era pequena de mais para perceber.

Quando foi a avó Matilde, "paniquei", "ansiei" e fiquei doente. Foi a vacina, aos 18 anos.

Quando foi a avó Tina, cerrei os lábios, esmaguei o coração, e foi só isso.

Hoje, respirei fundo. Acabaram-se os avós.

 

Pelo meio, um avô e uma avó do marido, a irmã dele e um tio. Um ou outro conhecido. Mas tudo se regeu apenas pela lei da vida, no meu coração.

 

às vezes penso que devo ser muito fria e cruel.

 

noutras,  apenas que já aprendi que amanhã o dia vai nascer de novo, e, que com o tempo, a dor passa.

 

na consciencia, só tenho uma interrogação. Fiz bem, ou mal não ter ido vê-lo?

adiei e adiei a ida ao hospital, e não fui. Agora também não vale a pena. nem sei se valia, se estava em coma...

 

Estou convencida que foi melhor assim.  Todos os dias me fui despedindo dele, em pensamento, como se fosse a rezar.

publicado por na primeira pessoa do singular às 14:56

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