Sobre mim e outras coisas, irreais, ou nem por isso...

23
Fev 11

O moço, trintinho, apresentou-se para cortar o cabelo. Jeitoso, mas longe de uma beleza estonteante. A falar, parecia um apresentador/critico de revistas cor de rosa, que anda por aí aos saltos, de sapatilhas AllStar e que se deve ter em muito boa conta.

 

Falou, falou, falou, sobre algo que eu não sei, sobre alguém que eu não conheço. Debaixo de um discurso de superioridade, uma dor de corno a explodir e a sair por todos os poros. A cabeleireira fazia perguntas enigmáticas, de poucas palavras, e ele respondia num tom seguro, seguro, tão seguro que quase aposto que quando saiu e antes de chegar ao carro, já devia destilar lágrimas...

 

Que sim, que nunca mais falou com ela, apenas lhe mandou mensagem na passagem de ano, que tem recusado muitas propostas, "porque eu tenho os meus princípios!",  que não precisa de ficar muito giro, que voltou a apanhar ondas...que a psicóloga está a ser dura, mas a fazer maravilhas...que ainda lhe faltava a cabeçada de ver a outra com o outro.

 

Apeteceu-me rir.

 

Mais a sério:

 agradeci por nunca ter passado por uma coisa destas.

publicado por na primeira pessoa do singular às 16:13

Fui operada em Outubro de 2008. Uma hérnia na coluna "rebentou" e deixou-me imobilizada e com as piores dores físicas de que tenho memória.

A recuperação foi razoável, e deu-me toda a liberdade para trabalhar sem dores.

 

Por outro lado, para além do preço exorbitante da operação, paguei um ainda maior. Desde essa altura que um sofá , um cadeirão, a cama , me lembram todos os dias que eu não fiquei como nova. Se estar sentada numa cadeira o dia inteiro, ou conduzir horas e horas não me fazem mossa, sentar-me num sofá pode terminar num doloroso pesadelo na hora de me levantar.

Deitar-me na praia, ou no sofá, é para esquecer. Deitar-me na cama, significa deitar-me de lado, ou começar com dores fortes em menos de cinco minutos. As noites passaram a ser um inferno, porque cada vez que precisava de mudar de posição, tinha de acordar e pensar como é que isso ia acontecer, e rodar-me, a força de braços, e com muita concentração, para não gritar de dor. Acordar muitas vezes por noite. E demanhã, um novo suplício, levantar-me. Com todo o jeitinho, rodando, pondo os pés no chão, levantando o tronco, e passar a primeira meia hora a tentar ganhar mobilidade sem dor.

E os pés, com dor na planta, reagindo a esforços, exercícios e com aversão a qualquer salto com mais de 4 ou 5 cm.

 

E eis que, este tempo todo depois, começo finalmente a acordar quase sem dores! É uma sensação fantástica, fabulosa!.

Sinto-me feliz! Sabe tão bem! Até dá tempo para ter voltado a sonhar...

 

publicado por na primeira pessoa do singular às 11:51

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