Sobre mim e outras coisas, irreais, ou nem por isso...

15
Fev 11

 Os idosos passaram a viver e a morrer sozinhos de um dia para o outro!

 

Como se nuca tivesse acontecido. Como se todos se tivessesm preocupado.

 

No meu prédio mora uma velhota com uma filha xoné. Malucas, doidas varridas, diabólicas. Gritam, berram, agridem-se, bebem demais. Quantas vezes é que os vizinhos já foram acalmar os ânimos? Dezenas de vezes. Quantas vezes é chamada a GNR? Só as que fui eu, já perdi a conta. A mesma GNR que conhece o caso, e que resmunga "Ó minha senhora, mas hoje já aí fomos duas vezes!" . Foram, regressaram, falaram mas o que fizeram? Nada! Quando são chamados a meio da noite, e demoram quase 3 horas a fazer 5km, ainda reclamam, que não está a acontecer nada. " Não, Sr. Guarda, mas quando eu telefonei, a filha esmurrava a mãe, a mãe batia à filha com a bengala, em pijama, descalça, na rua, eram quaze 23h!". No Natal, pendurei-lhes um presente na porta. Não sei se tiveram outro.

 

Na minha rua, mora um senhor que ficou muito debilitado depois de ter sido atropelado. Não teve tratamento especial, nem subsídios, e ficou totalmente dependente de cuidados. Dependente e só. Só uma irmã se disponibilizou para cuidar dele. Irmã viúva, doente e só. Viúva, cozinheira de mão cheia, prestável, generosa e só.

 

E qual a atitude da família? Nada. Um dia destes, a senhora ficou doente e recusou-se a ir para o hospital, pois não tinha quem tratasse do irmão. Ajudei-a a procurar um lar para o irmão. Por fim, os irmãos lá concordaram em ficar com ele por uns dias.

Esteve quase 3 semanas no hospital. Confesso que não a visitei, mas telefonava-lhe regularmente, e ouvia as lamentações. Quase não teve visitas. Na ala ao lado, e por esses dias, nascia-lhe um neto. Nem nesses dias o filho a foi visitar!

 

No prédio onde moramos, quase todos temos algo em comum: casais entre os 30 e 40 anos, com dois filhos. Entendemo-nos quase todos bem e apreciamos a senhora. Por isso, há sempre alguém que lhe dá uma boleia ou faça um recado.

No entanto, os nossos dias são tramados. Passamos uns pelos outros, a correr na escadas, a ralhar com os miúdos, atrasados. Ouvimos os ralhetes na hora de os mandar deitar. Os carros estão estacionados quase sempre no mesmo sítio, fruto de uma rotina.

 

O meu avô é tratado a pão de ló, em casa das filhas. É um felizardo, que nem sabe muito bem a sorte que tem em relação a tantos outros. No entanto, é um peso brutal nas horas de cuidados, atenções e dietas que necessita. É um desgaste enorme.

Os meus sogros vão para o mesmo caminho. E apenas eu e o meu marido parecemos preocupados coma a questão.

 

Nos hospitais, amontoam-se velhos, que passam fome de tudo. Nas aldeias, nas cidades, olham para nós de olhos encovados e assustados.

 

Porquê?

Porque deixou de haver tempo para as famílias. Passámos todos a robots e máquinas de trabalho ( os que ainda têm essa sorte!), e a família ficou só com o nome.

 

Deixámos de ser tempo para seremos nós e a nossa família.

E é por aí que as coisas têm de passar.

 

E as senhoras feministas podem ir queixar-se para outro, lado, que daqui não levam nada.

Porque se pudessemos ser mais mães para os nossos filhos, talvez eles pudessem a vir ser mais filhos daqui a uns anos. Ou mais irmãos..

 

publicado por na primeira pessoa do singular às 11:39

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