Sobre mim e outras coisas, irreais, ou nem por isso...

06
Jan 10

Dizia um senhor com quem trabalho, um dia destes, qualquer coisa sobre a minha forma de apresentar contas, todas certinhas, mas contas de merceiro, que só eu percebo..

"Tem de melhorar isto", dizia," é o que lhe estraga tanto virtuosismo!..."

Tem razão, mas veja, já apresento em folhas separadas, como me tinha pedido...respondi eu.

 

Nunca ninguém se tinha referido, a mim, como virtuosa!

 

Não sou a melhor que conheço em nada do que faço. Até sou bastante aldarabona, diga-se de passagem, e às vezes minto tão bem que até eu própria estranho.

 

No entanto, sou entusiasta, esforçada, decidida e frontal, consigo usar uma certa dose de inteligência emocional.Sou manipuladora, quando quero. Dizem que mostro uma enorme segurança no que faço, até sou educada e prestável, e trabalho muito bem numa equipa em que seja eu a mandar. Sou desenrascada.

 

Tenho uma memória bastante razoável, facilidade e rapidez de leitura de texto e projecto, e se não estiver muito barulho, consigo captar muitas coisas que decorrem ao mesmo tempo, à minha volta. Tenho boa capacidade de trabalho debaixo de pressão e com um bocado de boa vontade, consigo fazer as coisas de modo a agradar a Deus e ao Diabo.

 

Tenho um mau feitio, que poucas pessoas tiveram o azar de ver, porque consigo escondê-lo durante muito tempo, e um fabuloso humor negro, que encantava o meu primeiro chefe...e no entanto, não é fácil verem-me a rir à gargalhada. Mas sorrio bastante!

E consigo esconder ainda as insónias e ansiedades, dores de barriga e choro iminente, em momentos chave, atrás de um sorriso, de uma piada certeira, ou do comentário mais cínico - até ao minuto em que , já sozinha, possa explodir de raiva ou de dor, chorando até esvaziar o coração.

 

Lido mal com a injustiça e com incompetentes. Sou refilona e bato-me por aquilo em que acredito, até me demonstrarem que estou errada. Aí, sei pedir desculpa, ainda que arrancada a ferros...

 

Tento ser eficiente (um misto de eficaz e de competente)

 

Os meus ex-patrões experimentaram, todos, a dose completa, e até hoje, despedi-me sempre de todos os trabalhos, a partir do momento em que deixei de ser feliz no que fazia.

 

Porque eu adoro a minha profissão: sou engenheira civil e trabalho nas obras. Posso afirmar a pés juntos que não sabia para o que ia, quando entrei do IST, nem quando de lá saí, 5 anos e 1 dia mais tarde. Garanto-vos que é uma profissão lixada (f.d.d.para falar curto e grosso), mas tudo somado, adoro. Se ganhasse mais e trabalhasse menos, então seria melhor que torrões de açucar amarelo!

 

 

Apesar de toda a crise, lancei-me na incerteza, e criei uma empresa de mulher, que dá trabalho a mulheres, ousando singrar num mundo de homens, sendo mãe, esposa e dona de casa, ao mesmo tempo.

(Também dá chatices, menor rendimento, mais horas de trabalho e dores de barriga, à espera dos cheques dos clientes que não chegam, e impostos e contas que não param de chegar)

 

 

Por estas e por outras,e  no meio de tanta contradição, tenho uma certa dor de cotovelo, de alguns engenheiro/as(?) e doutore/as e professore/as e outros afins da função pública ( e porque não, privada?) que não percebem, não gostam, não se dedicam, nem se ralam com o trabalho que fazem, mas que recebem o belo antes do fim do mês e têm o trabalhinho assegurado no mês que vem, sem ter que se esforçar , nem sequer disfarçando ou fingindo que o fazem. Passo-me!

 

Ou talvez não inveje, apenas lamente, por eles...

 

 

 

 

publicado por na primeira pessoa do singular às 18:41
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