Sobre mim e outras coisas, irreais, ou nem por isso...

02
Jun 12

Qualquer clube de futebol, mesmo que jogue no cú do mundo, sabe que, num dia feliz, poderá ter um olheiro a assistir, mesmo que jogue com calhaus, num campo de brita.

E é sabido que, do nada, surgem grandes talentos futebolísticos que se veem a revelar grandes mais valias económicas para quem os descobriu.

 

Acreditando que existe algum fundo de verdade nos filmes americanos, todos sabemos que vale a pena apresentar um bom desempenho no projecto de ciências, no desposto, no grupo musical ou teatral, no concurso de palavras ou em qualquer actividade, mesmo no clube dos totós, pois daí pode vir reconhecimento, uma recomendação, uma bolsa de estudo, a descoberta por parte do mundo empresarial ou do entretenimento.

 

A nível empresarial, existe espionagem, existem as feiras, as revistas científicas, onde se vai à procura do melhor que se pensa e produz, para aplicação em proveito próprio.

 

No desporto, um atleta de alta de competição, por seu mérito e esforço, sabe que poderá ter condições de acesso à universidade, e eu acho muito bem que assim possa ser.

 

Ora tudo isto é aplicável à escola, desde os níveis mais básicos.

 

Quando ouço um director escolar a queixar-se que os colégios podem seleccionar os melhores alunos, e que a escola pública tem que aceitar tudo, fico furiosa. É claro que tem de aceitar tudo. Tudo são pessoas. Tudo são quem quer e quem não quer estudar. Tem de aceitar tudo, mas pode estabelecer a diferença, para valorização dos que se distinguem pelo seu trabalho. E isto não se faz só com um diploma afixado uma vitrina.

Desde o infantário que existem crianças que se evidenciam, pelos mais diversos factores.

 

Tal como os que são sinalizados e acompanhados por apresentarem maiores graus de incapacidade, também os que se revelam mais trabalhadores e talentosos, qualquer que seja a área, devem ser sinalizados, e acompanhados no seu crescimento.

 

E uma escola pública pode tentar, igualmente, recrutar os melhores que estão no nível de ensino imediatamente abaixo. Ou que se encontram a estudar no concelho ao lado. Oferecendo as condições para desenvolvimento dos talentos.

 

E as universidades e politécnicos deveriam também conhecer o que existe de melhor nas faixas etárias prévias, e não ficarem à espera do enchimento das vagas por aqueles que simplesmente não conseguiram entrar numa escola melhor. E oferecer condições especiais de ingresso a quem se diferencia pelo melhor. Não por quotas , mas por qualidade. Não abrindo 3 vagas para quem for o melhor, mas recebendo de braços abertos todos os melhores, na sua área.

 

Ora isto é um sistema absolutamente equitativo, que não favorece nem é influenciado pela riqueza do paizinho. O dinheiro do papá pode ajudar a pagar explicadores para melhoria de notas, pode ajudar a comprar algum equipamento especial, mas não compra habilidade, desempenho físico, criatividade, serviço social, eloquência, assertividade, atitude de liderança.

 

 

E por isto, estou absolutamente convencida de que isto poderia ser uma mais valia para os alunos, conscientes de que, ainda que lhes falte a oportunidade "monetária", podem ter as portas abertas por mérito. E ainda porque os mesmos aprenderiam mais cedo que as melhores oportunidades devem ser guardadas para quem se esforça. E para valorizar os que se esforçam, aumentando a auto-estima e vontade de trabalho. Seria ainda uma excelente oportunidade de virar o "bullying" contra o "Bully", por é também verdade que ser bom, ou melhor, não é, por estes dias, a coisa mais agradável que pode acontecer a um jovem adolescente numa qualquer escola de Portugal.

 

Para os pais que não têm posses, mas que têm determinação e fazem por transmití-la aos filhos. E aos outros.

 

Para as escolas, que concorreriam por alunos de excelência ( quem não têm de ter 20 a tudo, mas que são bons e reralmente se distinguem numa área!!).

 

Para as empresas, que em época de desemprego, podiam recorrer a esta base de conhecimento, não para recrutarem os que apresentam o CV mais impecável, mas o que já deram provas de força, resistência e trabalho.

 

Se gostaram da ideia, partilhem. Pode ser que dê azo a algum início de discussão sobre este assunto

 

publicado por na primeira pessoa do singular às 11:49

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