Sobre mim e outras coisas, irreais, ou nem por isso...

01
Fev 12

E agora que acabei um trabalhinho que estava a fazer, vamos falar de coisas sérias.

 

Os dias que aí vêm...

 

os meus, não são fáceis, eu sei, e dou voltas á cabeça para conseguir mais trabalho, mais rendimento, o que quer que seja, mas não é isso.

 

 

 

O meu avô está acamado, e as filhas desdobram-se em cuidados e tratamentos, atenções, dieta correcta, medicamentos a tempo e horas, cremes, massagens, colchões e almofadas, para que nada lhe falte. E não é nada fácil e até dispendioso. E para isso tem servido a sua reforma, que, não sendo grande, sempre é maior que a média.

Ter filhos com disponíbilidade, não está a ser coisa fácil, porque tanto a minha mãe como a minha tia ainda não têm idade para reforma, pelo que, se não trabalhassem a partir de casa, não seria possível tratar dele. Tal como não haveria dinheiro para o pôr num lar razoável. Tal como ele não teria acesso a um lar social, porque a reforma já é um bocadinho maior que a dos outros. E se as filhas morassem longe, pior seria.

Se ( repito, SE) eu precisásse de tratar dos meus pais ou sogros, teria de desistir do trabalho. Teria ainda de desistir da minha casa, pois não haveria espaço para todos lá em casa, em permanência, nem seria fácil tratar de doentes e acamados num piso elevado de um prédio sem elevador. Mas ainda daria para mudar para casa de um deles, com as malas e as filhas atrás, porque não vivendo perto, também não vivemos longe. Porque, mais uma vez, não seria económicamente viável colocar num lar , nem é a sua vontade.
Contratar uma empresa de serviços, também seria um rombo financeiro elevado. Contratar uma senhora a tempo inteiro, interna, poderia ser uma boa solução. Mas, mais uma vez, e extrapolando para o panorama nacional, a maior parte das pessoas não tem poder económico para tal.
mas vamos pôr as coisas nestes termos, supôem-se que, entre os vários filhos, e dentro das possíbilidades de cada um, todos dispenderiam de tempo e de determinada quantia, de modo a que, de uma maneira ou outra, lhes pudéssemos prestar os cuidados devidos, sabe-se lá por quantos anos.

Isto tendo em conta que tanto pais como sogros têm mais de 1 filho,

Nos dias que correm, ter mais de 1 filho começa a ser a excepção. E conseguir tirar algum dinheiro do pouco que possa sobrar, também.
Se todos os motivos são válidos para despedimentos e perca de rendimentos, mais difícil fica a um filho único poder faltar ao trabalho e desdobrar-se em consultas e apoios. E ter filhos perto dos pais começa a ser ainda mais excepcional ( isto se não se confirmar a tendência de que os filhos perdem as casas e têm mesmo de voltar para casa dos pais)

Ter apenas 1 ou 2 filhos, e ainda por cima vê-los emigrar, ou viverem numa mobilidade constante, e com baixos rendimentos, deveria hoje ser uma preocupação maior do que o vou ter ou não ter reforma. É que a reforma, mesmo que venha, não cobre os encargos, nem paga amor , ainda que possa contribuir para cuidados e suprimento de necessidades básicas.

Mas se o dinheiro é pouco para o básico de um casal, e as prespectivas não parecem melhor, é compreensível a desistência e a recusa de em ter filhos, ou ter mais filhos. Como pensar nisso, se a cabeça já roda a mil? Digo sempre que, para ter filhos não é preciso ter dinheiro, é preciso amor, mas cada dia me convenço mais que ando enganada e a enganar os outros.


Hoje, os problemas são grandes, mas continuamos a ouvir dizer que os nossos pais e avós já passaram pior, e é verdade. mas quer-me parecer que nós e os nossos filhos bateremos esse record. Talvez menos violentamente, porque hoje as sensibilidades são outras, mas com maiores repercussões, porque somos uma geração que não aprendeu as técnicas de sobrevivência, e nunca soubémos o que é recomeçar do zero após uma guerra. Mas vamos ter de aprender.

publicado por na primeira pessoa do singular às 17:55

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